RESTO: em (re)aparecimento místico 

[Fechem os olhos e peçam alguém para ler ] Lembro-me das histórias. Nas vísceras. Posso guardá-las. Na coluna vertebral, pilar, minha estrutura, minha negociação com a gravidade. Minha casa maior. Toco com os olhos. Você cai. Latente. Órgãos em líquido quente. Respiração ofegante. Preciso sair do chão. Preciso voar. Não me deixam. Não me deixo. Distração. Não banalizar, acreditar que para toda proposta haverá uma saída. Várias saídas. A porta. As janelas. O mergulho no rio. O mar. Sair para a cena. Sair de cena. São sempre saídas. Nunca entramos e não nos aprontamos para nada. Saímos para lutar. Somos. Luta. A sabedoria está em deixar o mundo se abrir diante dos sentidos. Cartas viradas. Opções de frente. Escolhas com coragem. Para improvisar é preciso fé. Ilhas de fé. Estamos sós. Solo em duos e trios. Saio do meu ponto, provoco o outro a ceder. Escambo. Improvisar é trabalho. É. Improvisar dá um trabalho danado. Silêncio. Pausa. Camadas. Signos. Texturas. Sobreposições. Colagens. Selecionar e compor como desejar. Devemos sair, deixar no espaço: o espaço. Sou público também. E privado, ainda sou? Agora suporte. Um observador ativo. Pronto. Disposto a escutar. Quando a imagem surgir como mágica e sentirmos verdade, devemos seguir, mesmo que no próximo segundo essa escolha possa sumir. E outra. E outra. E outras, sublimes, virão. Improvisar é construir pontes ao restar-se vivo. Sendo, misticamente, um re-aparecer em fogo e festa.

Ficha Técnica
Direção e Performance (Improvisação Cênica em tempo-real): Daniela Guimarães /BR
Direção Musical: Helinho Medeiros/ BR
Paisagem Sonora: Composições de Helinho Medeiros /BR, João Madeira/ PT e Lucas de Gal/ BR
Realização: Grupo de Pesquisa Corpolumen: redes de estudos de corpo, imagem e criação em Dança
Duração: 40 a 60 minutos

Fotografia Still: Allan Diniz, Ana Mundim , Luiz Alves

Fotos Dragão do Mar ( Luiz Alves )

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