RESTO: ANDARILHO PELAS PELES DE LISBOA

LISBOA, 46', 2022

RESTO: andarilho pelas peles de Lisboa é a segunda versão da obra RESTO: no tempo, no silêncio, na escuta, obra estreada em 2021 na Bienal Internacional de Dança do Ceará – de Par em Par, unindo o Grupo de pesquisa Corpolumen (UFBA/BR) e o Projeto TEPe 2019/2021 (Technologically Expanded Performance). A primeira parte da pesquisa tratou da construção de um filme cênico (Guimarães, 2021) criado online na plataforma Zoom e tratava da ressignificação de casas e seus objetos como um novo lugar de criação durante a pandemia de Covid-19 (2019). Agora, a segunda parte da pesquisa é a criação de uma performance pelas ruas de Lisboa onde o andar, o trilhar, o reexperimentar da cidade trazem outros sentidos e significados: as peles da cidade junto às nossas peles. 

A investigação está pautada no entrelaçamento de três temas propostos pelo TEPe2022: mapas urbanos, as camadas sensíveis da cidade e performar cidade. Fala do aqui e agora, de um possível “pós-entre-pandêmico”, no re-habitar da cidade através do caminhar/do caminhante e de suas paragens/habitações instantâneas na arquitetura de Lisboa: entrelace de memória, imaginação e fabulação, enquanto acontece o tatear de uma cidade possível! Interação de Dança, Cinema e Música em caminhadas dançadas: ato de criar/compor com a cidade através da Improvisação em tempo real, da música ao vivo e do registro audiovisual. 

A pesquisa discute Dramaturgias em tempo presente pelos embates entre corpo e ambiente que, em interação nas ruas, produzem camadas de semioses, termo conceitualizado pelo filósofo americano C. S. Peirce como a ação inteligente do signo. Estas camadas intersemióticas correspondem à ideia de organização das cenas enquanto acontecem em tempo-real, dispostas como em uma timeline de edição de imagens. Estas semioses nascem da multissensorialidade dos improvisadores de Dança, que criam na cidade, e com ela, encontros entre fabulações, memórias, histórias e invenções. Cidade, corpos e coisas em performance: um acontecimento entre peles.

FICHA TÉCNICA

Concepção / Direção / Performance: Daniela Guimarães 

Músico convidado: João Madeira

Referências: As Cidades Invisíveis, Calvino (1990) e Os Olhos da Pele, Pallasmaa (2021)